Uma das justificativas para elaboração e/ou revitalização, pelo menos anual, do Projeto Político Pedagógico é adequar a escola às demandas da sociedade, principalmente, às de mercado de trabalho. Dois fatos, entre outros, expõem tal inadequação: cresce, desde 2003, o número de escolas nas fábricas. Além disso, 80% das rescisões contratuais dos estagiários são causadas por mau comportamento profissional (Instituto Euvaldo Lodi, jornal AN – 25/04/2010). Faltam boas atitudes, habilidades e conhecimentos básicos aos egressos das escolas regulares em todos os níveis. Identificar como se manifestam e implementar soluções é o caminho para não prosseguir formando jovens para uma realidade ultrapassada. Fator de exclusão e de desqualificação da mão-de-obra, mesmo gastando muito dinheiro.
Os “maus comportamentos que causam mais demissão do que os erros cometidos” (jornal Hoje, Rede Globo, 21/03/2011), traduzem-se, segundo RenatoGrinberg, consultor do Portal do Trabalhador (jornal A Notícia, 25/10/2010), em faltas, chegadas tardias, mentiras, desrespeito aos colegas e à hierarquia, uso do telefone e da internet da empresa para fins pessoais, conversas paralelas e brincadeiras fora de hora durante o expediente, dificuldade no trabalho em equipe, negligência no espaço que utiliza, etc.. Eles tornam o ambiente de trabalho “pesado” e improdutivo.
Atitudes opostas eram praticadas na família e na escola, que, com raras exceções, aos poucos, foram se perdendo no tempo. Precisam ser retomadas, e com urgência. Não custa dinheiro. Bastam mudanças de “hábitos e atitudes”, previstos em lei educacional, não cumprida. Meiry Kamia, consultora de RH, afirmou (Jornal Hoje – Rede Globo, 21/03/2011) que “normalmente somos contratados pelas competências técnicas, que é tudo aquilo que listamos no currículo, mas somos demitidos pela falta de competência comportamental”.
Quanto aos conhecimentos básicos, o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), constatou, este ano, que 65% dos formados no ensino médio e 28% no superior, não conseguem interpretar textos, comparar e avaliar informações, distinguir fato de opinião e resolver problemas com percentagem e cálculo de área. No mercado de trabalho, terão, consequentemente, dificuldade para compreender avisos e manuais, em especial, os complexos processos de gestão e de produção.
As habilidades gerais reclamadas (pesquisa Hais, Jornal da Globo – 03/08/2012): domínio de língua estrangeira, comunicação, gerenciamento de equipe e liderança e organização eficiente dos horários, deveriam, também, ser aprendidas na escola regular. O que facilitaria a tarefa das empresas ao ensinar as específicas: TI, sustentabilidade, financeiro e orçamental, negociações, pesquisa e assistência médica.
Para adequar a escola, faz-se necessário, entre outras práticas, identificar as etapas do ciclo construtivo do conhecimento, implementá-las e fazer o controle de qualidade. Para tanto, é preciso de instrumentos para acompanhá-las (etapas), conhecimento e postura profissional a fim de capacitar e dar assistência constante aos professores, envolvendo os pais.

